TRABALHO: Isabelle – Entrevista

Nesse fim de semana, realizei a entrevista com a Isabelle. A conversa foi muito interessante e agregadora! Foi uma oportunidade maravilhosa!

Por problemas técnicos [falta de câmera profissional e alguém para ajudar a filmar], a ideia inicial de fazer a entrevista em vídeo não deu certo. Por esse motivo, a entrevista foi transcrita.



“Me chamo Isabelle Santana Gomes, nasci em São Paulo-SP, dia 19/11/1996, mesmo dia em que meus pais completavam 2 anos de casamento. Sou mesmo um presentinho [rindo]. Não fui, como gostam de dizer, “planejada”. Quando minha mãe engravidou, meus pais ainda terminavam de construir nossa casa – no mesmo terreno da casa da minha avó paterna. Dormíamos num único quarto, os 3, até meus 5 anos de idade, quando eu decidi ter um irmão. Digo “decidi” porque minha palavra sempre foi forte em casa. Não nego meu sol em escorpião. Assim que a ideia se implantou no meu cérebro, já era. Eu ia ter um irmão. E assim foi. Completei 6 anos em novembro, ele nasceu em janeiro do ano seguinte. Foi quando minha avó deu uma forcinha e foi construído outro quarto, pra eu dividir com o Luan.

Sempre fui uma criança muito ativa, gostava de esportes e de subir pelas paredes da casa (literalmente). Minha família costumava ir bastante a clubes, parques, shopping, praia. Minha mãe tem 7 irmãos, tenho tantos primos que mal consigo contar, e a maioria das minhas lembranças infantis tem eles no meio. Meu pai tem 2 irmãos, mais alguns primos pra conta. Sou muito ligada à minha família, já que sempre se fizerem muito presentes em minha vida.

Aos 6 anos de idade, em uma visita aos meus tios que moram em Minas Gerais, conheci o laboratório de um deles, que é médico patologista. Foi ali que eu decidi que, quando crescesse, não ia mais ser a moça que faz os lanches do mc donald’s, mas sim médica. Minha prima Georgia, 2 anos mais nova que eu, queria brincar com as barbies que tínhamos ganhado de natal e de pega-pega. Eu só queria ficar dentro daquele laboratório, vendo um monte de órgãos e fetos dentro de potes cheio de formol. Bizarro, mas bem minha cara mesmo, né?! [rindo]. Desde então, nunca mudei de ideia.

Saí do ensino médio em 2013, meu desempenho não foi bom no Enem. Nos últimos 3 anos (2014-2016) fiz cursinho. Não fui bem sucedida nas primeiras duas tentativas, na última cheguei bem perto. Apesar do apoio dos meus pais até então, agora eles relutam em continuam me ajudando a estudar. Talvez o medo de não dar certo atinja eles também, né? Talvez seja isso. Mas vou tentar de novo. Tenho absoluta certeza de que nasci pra usar um jaleco branco e receitar dipirona pros chatos que lotam o hospital com qualquer dor de cabeça [chorando].

Aos 16 anos tive meu primeiro namorado, Estevão. Éramos da mesma escola e namoramos por quase dois anos, mas com o fim do ensino médio o amor acabou também [rindo]. Logo em seguida, Ivan. O conheci por amigos em comum e namoramos por dois anos também. Já tem um tempo que estamos separados mas continuamos convivendo, já que metade dos meus amigos são amigos dele e vice-versa. Apesar de terem sido relacionamentos relativamente longos, nunca chegou ao ponto de pensarmos em casamento ou nada mais sério.

Logo após completar 18 anos, depois do fim do primeiro ano de cursinho, fiz minha primeira viagem internacional. Uma prima tinha se mudado com o marido pra República Tcheca a trabalho há alguns meses, e eu sempre quis conhecer a Europa “velha”, era uma oportunidade que eu não podia perder! Tudo aconteceu muito rápido, em uma semana meus pais compraram as passagens, resolveram tudo e eu fui. Confesso que fiquei um pouco receosa com a ideia de percorrer 10.000 km sozinha, mas no geral sempre fui mais destemida que medrosa, então peguei minhas malas e fui! O inglês que eu aprendi com o intuito de poder casar com um dos Jonas Brothers me foi muito útil [rindo]. Foi uma experiência e tanto. Conheci Brno, a cidade da minha prima na República Tcheca (que foi meu lugar preferido), Paris, Londres, Praga, Viena. Foi 1 mês em que vivi coisas encantadoras, visitei lugares históricos que me emocionaram, aprendi e cresci muito. Não vejo a hora de poder voltar.

Hoje, com 20 anos, enxergo o quão privilegiada sou, em muitos pontos. Nunca fui rica, mas meus pais se esforçaram e puderam pagar escola particular até o fim do ensino fundamental pra mim. Não me deixavam faltar aula, me ajudavam na lição de casa, me incentivaram a fazer prova pra tentar entrar em uma escola com ensino médio técnico. Passei em segundo lugar. Não me deixaram desistir da escola, dizendo incontáveis vezes que “estudos em primeiro lugar”. Ainda não sou mãe, mas repito isso pro meu irmão mais novo, agora. Ele ainda não sabe o que quer ser quando crescer (o que é irônico, porque já está mais alto que eu), mas já sabe que vai ter que se esforçar. Meus pais não tiveram esse tipo de suporte. Meus avós então, nem se fala. Imagina que eles pensavam em ser médicos? Era coisa pra gente riquíssima, utopia. Hoje tenho acesso a várias formas de ingresso, não é um sonho impossível. Acho incrível pensar que a próxima geração será muito mais preparada, tecnológica e aberta à estilos de vida que não eram considerados usuais até pouco tempo. Espero ter filhos pra vê-los no participar disso. Não vejo a hora de recitar o clássico poema “estudos em primeiro lugar” pra eles também.

Levo pra vida (e na pele, há alguns meses) a frase “o carrossel nunca para de girar”, de Grey’s Anatomy, minha série preferida. Minha interpretação é sobre não desistir. Às vezes as coisas não dão certo e a gente fica desesperado, mas o carrossel não para de girar. Ele vai dar voltas, e as coisas vão mudar. Em algum ponto ele vai girar na velocidade certa, pro lado certo, e a vida vai ser o que a gente sempre sonhou.” 

 

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