DIÁLOGOS: Apropriação Cultural e a História

Na última semana uma polêmica recorrente acerca do conceito de “apropriação cultural” tomou conta das redes sociais. Thauane Cordeiro ficou famosa após relatar, em seu perfil no Facebook, que estava numa estação de metrô quando foi interpelada por uma mulher que a teria criticado pelo fato de usar um turbante. A mulher (não identificada) teria abordado Thauane por ser uma mulher branca que estaria usando indevidamente um acessório identificado como parte da cultura negra. O caso ganhou notoriedade porque a jovem sofre de câncer, o que a levou a perder os cabelos. Esse seria então o motivo do uso do acessório.

Diante disso, é notável que o embate de opiniões que se desenrolou posteirormente ao post de Thauane está diretamente vinculado à fatos históricos do Brasil e, por esse motivo, resolvi pesquisar e trazer tal temática para o blog.


Segundo Douglas Belchior, o racismo aqui no Brasil tem como um de seus aspectos fortes a desqualificação indireta do negro, que não fala explicitamente do indivíduo negro, mas ataca todos aqueles elementos que compõem sua vida e sua cultura. “O Brasil é um país cultural e estruturalmente racista, construído sobre a escravidão e que nos anos 30 desenvolveu um discurso sui generis para substituir o da supremacia racial, a grande criação política e ideológica de Gilberto Freyre, a ideia da democracia racial. Esse pensamento, que sugere a miscigenação tranquila e fraterna entre brancos, negros e índios, na verdade serve até hoje para cimentar a opressão racial, uma das bases fundamentais para a manutenção das desigualdades sociais no Brasil”, diz ele, professor de história formado pela PUC e membro do conselho da UNEafro Brasil.

“A apropriação cultural, então, é uma estratégia de defesa dos interesses da classe dominante. Sua intenção é se proteger contra a identificação, organização e luta dos negros. Portanto, o sucesso dessa estratégia pode se medir a partir de quanto conseguem tirar dos diversos elementos sua característica de distinção cultural do povo negro. Mas isso não significa necessariamente tirar desses diversos elementos juízos que serão usados para propagar o racismo velado.” – Douglas Belchior.


Para complementar a discussão sobre o conceito de “apropriação cultural” e abordar o caso recente, trago também o vídeo de Nátaly Neri, mulher negra e feminista, que esclareceu muitas das minhas dúvidas acerca do assunto em seu canal do Youtube “Afros e Afins”.

Link: APROPRIAÇÃO CULTURAL EXISTE? PODE BRANCA DE TURBANTE?

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